terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Hierarquia Hacker
A famosa ‘hierarquia hacker’ é pouco praticada no Brasil. Não temos ‘grupos
organizados’ ou ‘clãs’ hacker tão atuantes como os que existem e exitiram nos
EUA. Mesmo o Legiao, grupo de pesquisa criado e mantido por mim, possui
entre os seus membros aqueles que se dedicam a pichar sites nas horas vagas.
Como não podem usar o nome Legiao nestas babaquices, inventam o nome de
algum grupo. Ás vezes pedem até a minha sugestão. Como eu já disse antes neste
mesmo capítulo, a Internet pública no Brasil não tem nem oito anos. Ao contrário
dos EUA, cuja Internet pública vai completar dezenove anos no ano que vem.
O que temos de clãs são os que se reunem para jogos estilo RPG e Counter
Strike. Também temos aqueles que alegam pertencer a determinado grupo (grupo
de um homem só). O Brasil está entre os primeiros lugares no ranking do
hacking mundial, mas não significa que possua esta quantidade absurda de grupos
ou de hackers. São muitas as ações, mas partindo de grupos reduzidos e até
mesmo uma pessoa em nome de um grupo imaginário. A (má) fama do Brasil é
mais por conta de pichações de sites e não de invasões espetaculares ou criação
de vírus e ferramentas de segurança.
Entre os ‘grupos’ com conhecimentos hacker, já identifiquei os seguintes:
- profissionais de rede em busca de conhecimentos hacker para a própria
defesa ou de seus clientes e valorização do currículo;
- pessoas querendo abrir contas de E-Mail para ver se pegam alguma traição
do companheiro;
- adolescentes que se exibem em salas de chat e canais do IRC;
- professores de informática e proffisonais de informática farejando um
novo filão: o curso de segurança ou anti-hacker.Fora estes, identifiquei um grupo
que está se tornando cada vez mais atuante. São quadrilhas em busca de hackers
ou conhecimentos hacker para a prática de crimes de informática. Algumas já
foram pegas, mas existem outras em ação. É um crime limpo, sem qualquer risco
de confronto policial durante sua execução e, se bem executado, indetectável. A
tendência é que este tipo de ‘grupo’ cresça bastante nos próximos anos.
Eu mesmo recebi convites prá lá de suspeitos durante o ano de 2002 e 2003. Se
você também ficar em evidência, como foi o meu caso, talvez receba convites
deste tipo. Só espero que resista à tentação do dinheiro fácil e use sua inteligência
para atividades honestas e produtivas. Se você se acha inteligente, use esta inteligência
para coisas boas, incluindo ganhar dinheiro. Você não precisa ser um hacker
do crime. O mundo vai valorizar o hacker ético. E pagará muito bem por este
serviçoNão há organização no hackerismo brasileiro. Algumas revistas especializadas no
assunto teimam em tentar fazer-nos acreditar que estes grupos altamente organizados
existem, se comunicam por código do tipo usado para escrever a palavra
h4ck3r, e estão neste exato momento planejando seu próximo ataque. Devaneio
puro. O grupo que realmente deve estar planejando o próximo ataque é o de
criminosos que estão usando técnicas hacker para aplicar golpes na Internet.
Nosso Brasil não é um país de ideologia e ideologismos. A reforma na educação
cuidou disso muito bem.
Queremos mudar um pouco este cenário. Temos em nossos planos a realização
de vários encontros hacker pelo Brasil, a realização da DEFCON nacional e a
vinda do Kevin Mitnick para algum evento. Quase o trouxemos agora em abril de
2004. Infelizmente os 60 mil reais que ele cobra para ficar duas horas em um
evento ainda é mais do que podemos dispor.
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